“Vadios” em manchete: representações da vadiagem no jornal “A Noite” na Primeira República (1911-1919)

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Colégio Pedro II/PROEN/Diretoria de Graduação

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Este trabalho analisa as representações da vadiagem no jornal A Noite entre 1911 e 1919, buscando compreender de que forma o periódico mobilizou essa categoria na construção de narrativas sobre ordem urbana, trabalho e criminalidade na Primeira República. Parte-se da perspectiva de que os jornais não funcionam como meros espelhos da realidade, mas como construções discursivas que selecionam, enquadram e interpretam acontecimentos, participando da formação da opinião pública. Metodologicamente, a pesquisa baseia-se na análise qualitativa de matérias publicadas no periódico que mencionam a vadiagem, organizadas em três categorias analíticas: retórica moralista, associação com outros crimes e clamor público. Os resultados indicam que o jornal frequentemente tratava a vadiagem menos como uma infração jurídica específica e mais como um problema moral e social, associando-a à ociosidade, à desordem e à criminalidade. Essa representação incidia de forma desigual sobre a população negra pobre (libertos, descendentes de escravizados e trabalhadores populares), mobilizando a vadiagem como categoria de controle de corpos racializados no contexto pós-abolição. Observa-se também que o periódico contribuía para produzir a impressão de uma demanda coletiva por maior rigor policial e judicial, reforçando a ideia de que a repressão à vadiagem seria necessária para a manutenção da ordem na capital federal. Como contribuição, o estudo evidencia o papel da imprensa na construção de representações sociais sobre pobreza, trabalho e criminalidade, além de destacar o jornal como agente ativo na produção de sentidos sobre a vida urbana no início do século XX.

Abstract

This study analyzes representations of vagrancy in the newspaper A Noite between 1911 and 1919, seeking to understand how the periodical mobilized this category in constructing narratives about urban order, labor, and criminality during Brazil's First Republic. It is based on the premise that newspapers do not function as mere reflections of reality but as discursive constructions that select, frame, and interpret events, thereby participating in the formation of public opinion. Methodologically, the research is grounded in a qualitative analysis of articles published in the newspaper that mention vagrancy, organized into three analytical categories: moralistic rhetoric, association with other crimes, and public outcry. The findings indicate that the newspaper frequently treated vagrancy less as a specific legal offense than as a moral and social problem, associating it with idleness, disorder, and criminality. This representation disproportionately targeted the poor Black population—including formerly enslaved individuals, their descendants, and members of the working classes—mobilizing vagrancy as a category for controlling racialized bodies in the post-abolition context. The study also shows that the newspaper contributed to creating the impression of a collective demand for stricter policing and judicial enforcement, reinforcing the idea that repressing vagrancy was necessary to maintain order in the federal capital. As a contribution, this study highlights the role of the press in constructing social representations of poverty, labor, and criminality, while also emphasizing the newspaper as an active agent in producing meanings about urban life in the early twentieth century.

Descrição

Palavras-chave

Brasil - História - República Velha - 1889-1930, Vadiagem - Brasil, Imprensa Nacional (Brasil) - História

Citação

BRAZO, Dionísio de Almeida. “Vadios” em manchete: representações da vadiagem no jornal “A Noite” na Primeira República (1911-1919). Trabalho de Conclusão de Curso (Licenciatura em História). Colégio Pedro II, Pró-Reitoria de Ensino, Diretoria de Graduação, Rio de Janeiro, 2026.

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