Coletivo como aquilombamento: a trajetória do Coletivo Negro e Indígena Carolina Maria de Jesus na luta por ações afirmativas na graduação do Colégio Pedro II
Carregando...
Data
Orientador
Coorientador
Editor
Organizador
Ilustrador
Tradutor
Coordenador
Nome da universidade/Departamento
Colégio Pedro II/PROEN/Diretoria de Graduação
Programa de Formação
Local
Título da Revista
ISSN da Revista
Título de Volume
Editor
Resumo
Reconhecido por seu grau de excelência em diversas modalidades de ensino, o Colégio Pedro II ao longo de sua história foi representante de uma perspectiva de educação tradicional que difunde e valoriza uma proposta hegemônica, sendo modelo para a educação no Brasil. Esse modelo muitas vezes foi construído a partir da persistência dos valores eurocêntricos e coloniais presentes tanto nos currículos quanto nas práticas pedagógicas. Internamente, por sua vez, o projeto de educação da instituição sempre foi disputado por diversos atores sociais. Nesse contexto, surge em 2021 o Coletivo Negro e Indígena Carolina Maria de Jesus (CNICMJ), formado por estudantes das recém-criadas licenciaturas dessa instituição, que tem se destacado como um local social fértil para elaboração e proposição de práticas e metodologias educativas antirracistas, não-hegemônicas e decoloniais, bem como de afeto e pertencimento, e que atua na disputa pelos rumos da educação na instituição. Este trabalho tem como objetivo analisar como a trajetória do Coletivo Negro e Indígena Carolina Maria de Jesus contribuiu com as práticas pedagógicas na graduação do Colégio Pedro II, destacando sua atuação institucional nas lutas por políticas de permanência para estudantes, na participação de bancas de heteroidentifi cação, na construção de práticas pedagógicas, como os Circuitos Decoloniais e na ressignifi cação dos espaços da instituição, através do projeto “Decoloniza CP2 Realengo – (Re)Conhecendo Referenciais Negros e Indígenas, tecendo a educação como prática de liberdade”. Além disso, busca compreender seu papel na própria formação de estudantes. Nossa hipótese é de que a atuação dos estudantes no Coletivo proporcionou maior consciência do caráter interseccional da opressão racial, da crítica à colonialidade do saber (cf. Quijano, 2005) e do epistemicídio de referências de fora do eixo Europa e Estados Unidos da América no debate sobre sociedade, contribuindo para a valorização da cosmopercepção de pessoas negras e indígenas. Para isto, utilizo a metodologia pesquisa-ação-participante de Fals Borda (2006) na realização de pesquisa qualitativa por meio de análise documental de atas, fotografi as, documentos de formação do Coletivo e de observação participante de reuniões e atividades. Como cofundadora e membra do CNICMJ tenho a oportunidade de escrever sobre o coletivo que faço parte num processo de escrita e de autorrefl exão constante sobre minha memória e a memória do grupo.
Abstract
This study analyzes the trajectory of the Carolina Maria de Jesus Black and Indigenous Collective (CNICMJ) and its contributions to pedagogical practices within the undergraduate programs of Colégio Pedro II. Founded in 2021 by Black students from the Social Sciences degree program, the Collective emerged as a space for resistance, belonging, permanence, and the promotion of affi rmative action policies. Grounded in the theoretical contributions of Silvio Almeida, Abdias Nascimento, Beatriz Nascimento, Pierre Bourdieu, Paulo Freire, bell hooks, Achille Mbembe, and José Jorge de Carvalho, the research examines how structural racism, epistemicide, and educational inequalities are challenged through collective action and contemporary forms of quilombismo. Methodologically, the study adopts a participatory action research approach, combining participant observation, documentary analysis, photographs, institutional records, and testimonies from Collective members. The fi ndings demonstrate that the CNICMJ has played a signifi cant role in strengthening anti-racist pedagogical practices, expanding affi rmative action policies, promoting student support and retention, infl uencing curricular changes through the inclusion of Black and Indigenous intellectuals, and contributing to the creation of the Heteroidentifi cation Committee at Colégio Pedro II. Furthermore, the Collective has fostered identity formation, political engagement, and academic production among its members, functioning as a contemporary quilombo that produces knowledge, solidarity, and strategies for educational equity. The study concludes that the CNICMJ has become a fundamental actor in transforming institutional practices and promoting anti-racist, decolonial, and emancipatory education.
Descrição
Palavras-chave
Movimento Negro - Brasil, Movimentos Estudantis, Educação Antirracista, Ações Afirmativas
Citação
SILVA, Alaiane de Fátima dos Santos. Coletivo como aquilombamento: a trajetória do Coletivo Negro e Indígena Carolina Maria de Jesus na luta por ações afirmativas na graduação do Colégio Pedro II . Trabalho de Conclusão de Curso (Licenciatura em Ciência Sociais). Colégio Pedro II, Pró- Reitoria de Ensino, Diretoria de Graduação, Rio de Janeiro, 2025.
Fonte externa
Documento relacionado
Coleções
Avaliação
Revisão
Suplementado Por
Referenciado Por
Este item está licenciado na CC BY-NC-SA 4.0 




